Ontem assisti a um filme maravilhoso! Desde que entrou em cartaz, fiquei ansiosa para conhecer a novidade estrelada e dirigida por Selton Mello. “O Palhaço” já levou mais de 1 milhão de pessoas ao cinema e comove a todos por expor um dilema universal: anseios sobre nossas escolhas, sobretudo, as profissionais. Fazia tempo que eu não me emocionava tanto diante da telona.
O Circo Esperança conta com diversas atrações, e entre elas, a dupla Pangaré e Puro Sangue, vividos pelos palhaços Benjamim (Selton Mello), o filho, e Valdemar (Paulo José), o pai, que arrancam gargalhadas do público. Apesar dos sorrisos no picadeiro, detrás da lona se esconde a dura realidade dos artistas que vivem da arte circense. Benjamim se revela uma pessoa triste, cansada e acredita que tenha perdido a graça. Sendo assim, começa questionar sobre suas escolhas. Será que ele realmente tinha vocação para palhaço? Será que só estava seguindo os passos de seu pai? Tristonho, cansado e pensativo, resume: “Eu faço as pessoas rirem. Mas quem vai me fazer rir?”.
Triste, já não mais fazia as pessoas rirem. Impulsionado por novos desafios e pela ânsia de sanar dúvidas essenciais, ele abandona seu pai e parceiro e também o circo para buscar “algo” que talvez nem ele soubesse ao certo, mas era necessário. Parte para a cidadezinha de Ana, moça sorridente, em busca de uma aventura sem identidade, CPF ou comprovante de residência, mas logo depois de ter ultrapassado a lona, descobre que o mundo do lado de fora é bem diferente. Para ser alguém não bastava ter uma certidão de nascimento velha e amassada.
Depois de alguns dias, já estava com seu RG em mãos e empregado em uma loja de eletrodomésticos em uma cidadezinha do interior. Ventiladores. Muitos ventiladores. O então ex-palhaço Pangaré consegue finalmente comprar um. Nossa… como ele (achava) precisava um ventilador! Missão cumprida. Repentinamente e de forma natural, o sorriso lhe volta à face. Quando menos percebe, está novamente fazendo os outros rirem, e percebe que realmente é essa a sua vocação, e entende o que um dia o seu pai falou: “O gato bebe leite, o rato come queijo, e eu sou palhaço. Temos que fazer o que sabemos fazer”. Voltou para o Circo Esperança.
A mensagem que fica é a de que nada nesta vida é tão definitivo quanto parece ser. Somos livres para fazer novas escolhas a qualquer momento. Podemos arriscar sem o medo de não poder voltar atrás. Não é errado nem pecado desistir, reavaliar, mudar de ideia quantas vezes forem necessárias. Às vezes só precisamos de um tempo longe, um tempo para nós, para conseguirmos enxergar com maior nitidez nossos objetivos e vocações.
Enquanto a arte me provocar emoções e pensamentos, estarei viva.

Também adorei o filme e concordo com a ideia de que a vida não é um caminho sem volta…
Camila
Como você escreve bem, fico muito orgulhosa em saber que existem profissionais, já na sua idade, com tamanha competência. Demosntrou ser neste texto uma promessa no jornalismo com sua observação tão aguçada.
Parabéns!
Obrigada querida!
é pra refletir mesmo nega.. e concordo com o post anterior, vc escreve super bem, não tenho essa capacidade! haha! vou ver se vejo o filme.. beijos!